Comunicador cadeirante relata experiência na cobertura do São João de Campina Grande e diz que busca ampliar a acessibilidade: 'Mostrar otimismo'

Comunicador cadeirante fala sobre experiência de cobrir São João 2026 de Campina Grande A paixão pela comunicação levou Pedro Vidal, de 25 anos, a deixar ...

Comunicador cadeirante relata experiência na cobertura do São João de Campina Grande e diz que busca ampliar a acessibilidade: 'Mostrar otimismo'
Comunicador cadeirante relata experiência na cobertura do São João de Campina Grande e diz que busca ampliar a acessibilidade: 'Mostrar otimismo' (Foto: Reprodução)

Comunicador cadeirante fala sobre experiência de cobrir São João 2026 de Campina Grande A paixão pela comunicação levou Pedro Vidal, de 25 anos, a deixar a atuação exclusiva no design para atuar também no rádio e em entrevistas. Cadeirante, ele integra a cobertura do São João 2026 de Campina Grande, no Agreste paraibano, e afirma que busca levar uma mensagem de otimismo e representatividade a outros profissionais com deficiência. “Posso estar, sim, de alguma forma, mostrando a outros colegas PCDs que é possível estarmos em eventos, trabalharmos neles e sermos úteis para com a sociedade e conosco, embora as dificuldades. Falo isso não com vitimismo, mas tentando, nem que seja um pouco, mostrar otimismo. Deus é bom”, disse em entrevista ao g1. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Durante a cobertura desta edição, o comunicador coleciona entrevistas com grandes nomes da música. Ele destaca alguns artistas que lhe chamaram a atenção pela receptividade, como Solange Almeida e Michele Andrade. “Posso destacar Solange Almeida, a primeira artista que entrevistei, e Jonny Garotinho. Nas coletivas, eu destaco Tarcísio do Acordeon e Michele Andrade. Ambos demonstram impacto com minhas perguntas. A Michele, por exemplo, se emocionou ontem durante a entrevista”, disse. Pedro Vidal e Maria Vitória durante cobertura do São João de Campina Grande Pedro Vidal/Arquivo pessoal Pedro Vidal trabalha com a videomaker Maria Vitória, que auxilia nas captações e edições das entrevistas. A dupla não vai ao Parque do Povo todos os dias, mas segue um planejamento prévio, que, segundo Pedro, é atualizado no decorrer da programação da semana. “No momento, há uma pessoa que colabora comigo. Não estou indo todos os dias, pois tenho algumas dificuldades. Focamos em cobrir os shows e acontecimentos e, no geral, entrevistas com artistas e as outras pessoas que fazem parte, como o público. Por exemplo, já entrevistamos comerciante, policial. A gente foi analisando a programação e montando um ‘cronograma’, mas não totalmente fechado… é muito por semana ou até mesmo possibilidade do dia”, explicou. Estrutura do Parque do Povo Pedro Vidal, de 25 anos, na sala de imprensa do São João de Campina Grande Pedro Vidal/Arquivo pessoal Pedro Vidal avalia que a estrutura do Parque do Povo tem garantido condições de acessibilidade. Segundo ele, houve apenas um problema inicial para acesso à sala de imprensa, que foi resolvido pela organização do evento com a instalação de uma rampa e a criação de uma rota mais adequada. “Foram super atenciosos e conseguiram para mim outro meio para acessar a sala e, posteriormente, já providenciaram rampa e melhor acesso”, afirmou. Os principais desafios, segundo Pedro, acontecem nos momentos de maior concentração de público. Em uma das noites de shows, ele precisou atravessar uma área com grande fluxo de pessoas para se deslocar entre a sala de imprensa e outros espaços do evento. Diante da dificuldade de mobilidade, integrantes do Corpo de Bombeiros formaram um cordão de proteção para auxiliar a passagem. Durante o deslocamento, no entanto, uma briga começou nas proximidades do grupo. “Acionamos os bombeiros, que fizeram uma espécie de cordão de proteção ao meu redor para facilitar minha passagem, já que sou cadeirante e o fluxo de pessoas era muito intenso. Durante esse trajeto, literalmente ao meu lado, iniciou-se uma briga que poderia ter escalado para algo mais grave e até causado ferimentos em mim ou em alguém que estivesse me acompanhando”, relatou. Para ele, situações como essa mostram a necessidade de discutir formas de garantir mais segurança e acessibilidade para pessoas com deficiência em grandes eventos. “Reforço que é normal haver grande concentração de pessoas em locais de shows. No entanto, acredito que poderia existir alguma forma de facilitar o deslocamento e o acesso das pessoas com deficiência em meio a essas multidões”. Importância da acessibilidade Pedro Vidal em entrevista com a cantora Solange Almeida Pedro Vidal/Arquivo pessoal Ao atuar na cobertura de grandes eventos, Pedro Vidal acredita que sua presença contribui para ampliar o debate sobre inclusão no mercado de trabalho. Para ele, a participação de profissionais com deficiência em espaços de visibilidade pode estimular empresas e produtoras a adotarem medidas mais efetivas de acessibilidade e acolhimento a diferentes perfis de trabalhadores. “O meu trabalho pode estar demonstrando a essas empresas que a pauta da acessibilidade é muito importante, pois, como seres humanos, todos nós temos diferenças, e não é diferente para com os profissionais de imprensa. Estar aberto à inclusão é estar aberto a novas possibilidades de colaboração, divulgação e credibilidade no trabalho humano”, afirmou. Apesar de defender melhorias na acessibilidade, Pedro diz que não vê a segregação como caminho. Segundo ele, a criação de espaços separados para pessoas com deficiência é uma solução momentânea. "Vejo essas áreas como uma solução válida no presente, mas não como o cenário ideal", afirma. Na avaliação do comunicador, o objetivo deve ser a construção de ambientes em que pessoas com e sem deficiência possam compartilhar os mesmos espaços com autonomia, segurança e igualdade de condições. Trajetória na comunicação O interesse de Pedro Vidal pela comunicação surgiu ainda na infância. Ele participava de atividades escolares, produzia vídeos para a internet, chegou a criar uma web rádio e atuou como locutor da rádio da mostra pedagógica da instituição onde estudava. Já na vida adulta, embora tenha seguido profissionalmente na área de design, o desejo de trabalhar com rádio permaneceu. “Gostava de chamar a atenção e ser ouvido. Mais tarde segui por outro caminho: o design. Nele, fui começando a entender que comunicação está em tudo. Mesmo atuando nessa área, a vontade de trabalhar no meio radiofônico ainda existia”, resumiu. O incentivo para retomar esse caminho veio após uma conversa com a locutora campinense Luciana Gomes, que compartilhou sua trajetória profissional. A partir daí, Pedro decidiu cursar rádio, TV e internet. “Cursei, me formei, tirei meu registro profissional e sigo por aqui aprendendo, atuando e buscando oportunidades”, afirmou. Antes da cobertura do São João deste ano, ele já havia participado da produção de conteúdos em eventos. Também produziu episódios externos de seu podcast durante o ImagineLand e na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Agora no g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba